{"id":135,"date":"2018-03-22T15:48:20","date_gmt":"2018-03-22T15:48:20","guid":{"rendered":"http:\/\/colloqueadal2019\/?p=135"},"modified":"2018-04-06T07:14:24","modified_gmt":"2018-04-06T07:14:24","slug":"chamadas-para-trabalhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/adalassociation.org\/colloqueadal2019\/chamadas-para-trabalhos\/chamadas-para-trabalhos\/","title":{"rendered":"Chamadas para trabalhos"},"content":{"rendered":"<p>Dez anos se passaram desde a cria\u00e7\u00e3o da <abbr title=\"An\u00e1lise do Discurso da Am\u00e9rica Latina\">ADAL<\/abbr><a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> por um grupo de jovens pesquisadores para constituir uma rede de trocas em torno dos pa\u00edses latino-americanos e dos discursos que da\u00ed emanam. Durante esses dez anos de exist\u00eancia, a associa\u00e7\u00e3o <abbr title=\"An\u00e1lise do Discurso da Am\u00e9rica Latina\">ADAL<\/abbr> organizou tr\u00eas jornadas de estudos (2009, 2010, 2013), dois col\u00f3quios internacionais (2014, 2017) e quarenta semin\u00e1rios dedicados ao estudo dos discursos pol\u00edticos e midi\u00e1ticos da Am\u00e9rica latina. Para festejar este anivers\u00e1rio, a associa\u00e7\u00e3o <abbr title=\"An\u00e1lise do Discurso da Am\u00e9rica Latina\">ADAL<\/abbr> pretende lan\u00e7ar um olhar cr\u00edtico sobre os \u00faltimos vinte\u00a0 anos de discursos que circularam e circulam na cena pol\u00edtica e midi\u00e1tica latino-americana em um col\u00f3quio internacional organizado na Universit\u00e9 de Lille.<!--more--><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, a regi\u00e3o latino-americana foi palco de importantes mudan\u00e7as. A Am\u00e9rica latina se consolidou como ator pol\u00edtico e econ\u00f4mico mundial : cria\u00e7\u00e3o da CELAC<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> e da UNASUR<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>. Pode-se igualmente perceber a emerg\u00eancia de lideran\u00e7as de esquerda e a consolida\u00e7\u00e3o de governos de ideais progressistas, o que permitiu a apari\u00e7\u00e3o de um novo socialismo pr\u00f3prio ao continente latino-americano que Hugo Ch\u00e1vez chamou de \u00ab\u00a0socialismo do s\u00e9culo XXI \u00bb, retomando o conceito de Heinz Dieterich Steffan (1996). Essa nova tend\u00eancia socialista resultou na apari\u00e7\u00e3o de novas forma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, al\u00e9m daquelas tradicionais e conservadoras, cada uma representada por uma figura carism\u00e1tica e popular : o <em>Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV)<\/em> de Hugo Ch\u00e1vez na Venezuela, <em>Alianza Pa\u00eds <\/em>de Rafael Correa no Equador, o <em>Movimiento al Socialismo (MAS)<\/em> de Evo Morales na Bol\u00edvia, o <em>Frente para la Victoria<\/em> de N\u00e9stor Kirchner e Cristina Fern\u00e1ndez na Argentina, o <em>Partido dos Trabalhadores <\/em>de Lula da Silva no Brasil, entre outros. Assistimos, deste modo, \u00e0 renova\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica e ao surgimento de novas pr\u00e1ticas discursivas. Trata-se, por exemplo, da apari\u00e7\u00e3o de formas espec\u00edficas de discurso pol\u00edtico, com o emprego de estrat\u00e9gias de \u00ab\u00a0<em>storytelling<\/em>\u00a0\u00bb ou \u00ab\u00a0<em>narra\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0\u00bb, isto \u00e9, a constru\u00e7\u00e3o de uma narrativa por meios discursivos cujo objetivo principal \u00e9 criar um sistema de coniv\u00eancia entre o locutor pol\u00edtico e seus interlocutores. Tais pr\u00e1ticas tamb\u00e9m se manifestam pela emerg\u00eancia de meios de comunica\u00e7\u00e3o adaptados a esta nova maneira de comunicar em pol\u00edtica : a exemplo dos programas de televis\u00e3o <em>Al\u00f3 Presidente<\/em> (criados por Hugo Ch\u00e1vez na Venezuela) ou dos <em>Consejos Comunales de Gobierno <\/em>de \u00c1lvaro Uribe na Col\u00f4mbia<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esta fase da pol\u00edtica na Am\u00e9rica latina \u00e9 conhecida pela denomina\u00e7\u00e3o de \u00ab\u00a0guinada \u00e0 esquerda\u00a0\u00bb \u2013 que n\u00e3o representou, por\u00e9m, uma mudan\u00e7a de rumo para todos os pa\u00edses latino-americanos, especialmente o M\u00e9xico e a Col\u00f4mbia. No entanto, muitos pa\u00edses da regi\u00e3o conheceram este movimento de ruptura, s\u00edmbolo do descontentamento, da insatisfa\u00e7\u00e3o social e das inquieta\u00e7\u00f5es da popula\u00e7\u00e3o face \u00e0 privatiza\u00e7\u00e3o dos recursos naturais, das empresas nacionais, etc. Essa transforma\u00e7\u00e3o se viu cristalizada pela elei\u00e7\u00e3o de homens e de mulheres que encarnavam diferentes aspectos desta esquerda emergente : pol\u00edticas mais sociais, favor\u00e1veis \u00e0 redistribui\u00e7\u00e3o das riquezas e \u00e0 nacionaliza\u00e7\u00e3o da economia, e\u00a0 afirma\u00e7\u00e3o de uma identidade latino-americana, baseada nos ideais transmitidos por um discurso pol\u00edtico que se pretendia inovador. Estes novos atores se afirmaram socialmente e culturalmente \u00e0 margem das representa\u00e7\u00f5es e media\u00e7\u00f5es tradicionais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas desde 2010, como mostra o jornal <em>Le Monde<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup><strong>[6]<\/strong><\/sup><\/a><\/em>, os movimentos de esquerda que estavam no poder atravessaram uma s\u00e9rie de retrocessos. Eles sofreram um processo de estagna\u00e7\u00e3o que levou os resultados das urnas a alertar para uma nova guinada, desta vez conservadora, contr\u00e1ria aos projetos de esquerda implementados pelos governos do \u00ab\u00a0socialismo do s\u00e9culo xxi\u00a0\u00bb. Esta nova etapa \u00e9 caracterizada pela chegada \u00e0 cena pol\u00edtica latino-americana de figuras pol\u00edticas de orienta\u00e7\u00e3o neoliberal, reivindicando um \u00ab sopro de modernidade\u00a0\u00bb, e favorecendo pol\u00edticas que privilegiam o setor privado em detrimento do servi\u00e7o p\u00fablico e das medidas sociais, bem como as pol\u00edticas de austeridade no plano econ\u00f4mico. Podemos citar como exemplos o fim do kirchnerismo nas presidenciais de 2015 na Argentina com a elei\u00e7\u00e3o do candidato de centro-direita liberal Mauricio Macri ; a rejei\u00e7\u00e3o de um quarto mandato de Evo Morales por meio de um referendo proposto por ele mesmo em 2016 e que acaba, finalmente, autorizado pelo Tribunal Constitucional a concorrer outra vez ; ou a elei\u00e7\u00e3o em 2016 do candidato de centro-direita liberal Pedro Pablo Kuczynksi no Peru. Na Venezuela, a oposi\u00e7\u00e3o se instala majoritariamente na Assembleia nas elei\u00e7\u00f5es legislativas de 2015, ainda que o \u00ab\u00a0chavismo\u00a0\u00bb ressurja no escrut\u00ednio de 2017 para a Assembleia Constituinte e apare\u00e7a revitalizado ap\u00f3s sua vit\u00f3ria nas elei\u00e7\u00f5es regionais em outubro do mesmo ano. No Brasil, Dilma Rousseff \u00e9 destitu\u00edda pelo Senado em 2016 acusada de ter maquiado as contas p\u00fablicas. As controv\u00e9rsias jur\u00eddicas em torno da decis\u00e3o agitaram o debate p\u00fablico, opondo quem defende a legitimidade constitucional do procedimento e quem denuncia \u00ab\u00a0um golpe de Estado parlamentar\u00a0\u00bb orquestrado pela oposi\u00e7\u00e3o e pelo seu vice-presidente, Michel Temer, ele mesmo acusado de corrup\u00e7\u00e3o. No poder desde a destitui\u00e7\u00e3o definitiva da presidenta em agosto de 2016, Temer colocou em pr\u00e1tica pol\u00edticas conservadoras e em concerta\u00e7\u00e3o com os interesses das elites econ\u00f4micas brasileiras. No Chile, dezenas de munic\u00edpios foram conquistados pela direita nas elei\u00e7\u00f5es locais \u2013 mesmo que a direita e a esquerda estejam em crise e se encontrem fragmentadas \u2013, resultando na elei\u00e7\u00e3o do candidato de direita Sebasti\u00e1n Pi\u00f1era, que se apresenta como o representante de uma \u00ab\u00a0direita renovada e liberal\u00a0\u00bb, distante de qualquer heran\u00e7a da ditadura de Pinochet. Enfim, no Equador, a chegada de Lenin Moreno, membro do partido <em>Alianza Pa\u00eds <\/em>fundado por Rafael Correa, adota um programa pol\u00edtico de austeridade que se afasta das pol\u00edticas socialistas estabelecidas por seu antecessor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Neste contexto, este col\u00f3quio se interessar\u00e1 particularmente \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o do discurso pol\u00edtico latino-americano no sentido amplo, compreendendo, assim, os discursos dos atores pol\u00edticos, institucionais ou n\u00e3o, as diversas formas de comunica\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e p\u00fablica, os discursos midi\u00e1ticos, os discursos militantes, entre outros. Mais especificamente, trata-se de analisar a maneira como o discurso pol\u00edtico \u00e9 articulado e os meios enunciativos implementados por cada orador para se posicionar \u00ab\u00a0\u00e0 esquerda\u00a0\u00bb, \u00ab\u00a0\u00e0 direita\u00a0\u00bb, ao centro ou, ao contr\u00e1rio, para evitar de se posicionar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Da mesma maneira, este col\u00f3quio se debru\u00e7ar\u00e1 sobre o papel do discurso dos meios de comunica\u00e7\u00e3o :\u00a0 como os <em>media<\/em> deram conta da emerg\u00eancia de uma \u00ab esquerda\u00a0\u00bb e \/ ou de uma \u00ab direita \u00bb em cada pa\u00eds ? Que papel tiveram meios de comunica\u00e7\u00e3o como o canal de televis\u00e3o <em>Telesur <\/em>e os jornais de cobertura nacional ? A que objetivos responde a emerg\u00eancia de m\u00eddias alternativas na Internet, como o site de informa\u00e7\u00e3o <em>Las Dos Orillas <\/em>na Col\u00f4mbia ? Ou ainda a <em>Red Popular<\/em>, iniciativa argentina, que consiste em um canal internacional cujo objetivo \u00e9 a difus\u00e3o de um discurso alternativo \u00e0quele do pensamento econ\u00f4mico \u00fanico ?\u00a0 A cria\u00e7\u00e3o em julho de 2017 da rede social argentina <em>Facepopular<\/em>, que se apresenta como uma frente alternativa contra o <em>establishment <\/em>e j\u00e1 conta com milhares de membros tanto na Argentina quanto em outros pa\u00edses latino-americanos questiona igualmente o lugar das m\u00eddias alternativas na cena pol\u00edtico-midi\u00e1tica atual. Com efeito, ser\u00e1 necess\u00e1rio explorar a evolu\u00e7\u00e3o da vida pol\u00edtica latino-americana nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas sob o prisma dos meios de comunica\u00e7\u00e3o tradicionais e das novas m\u00eddias, como as redes sociais amplamente utilizadas pelos atores pol\u00edticos latino-americanos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Este col\u00f3quio ser\u00e1 a ocasi\u00e3o de analisar a Am\u00e9rica latina dos \u00faltimos vinte anos e, sobretudo, as diferentes maneiras de interpretar estes dois fen\u00f4menos : a ruptura com as pol\u00edticas neoliberais que representa a chegada dos governos e das pol\u00edticas situados \u00e0 esquerda do tabuleiro pol\u00edtico, e o retorno \u00e0s pol\u00edticas conservadoras e aos valores da direita. Como, por meio do discurso e gra\u00e7as a certos processos enunciativos, os locutores pol\u00edticos e midi\u00e1ticos latino-americanos constituem e caracterizam cada \u00ab\u00a0guinada\u00a0\u00bb ? Podemos falar de emerg\u00eancia ou de ressurg\u00eancia de uma \u00ab\u00a0direita renovada e liberal\u00a0\u00bb, ou se trata de uma direita inscrita na idiossincrasia espec\u00edfica a cada pa\u00eds com suas caracter\u00edsticas pr\u00f3prias ? Que papel desempenham os meios de comunica\u00e7\u00e3o face \u00e0 cada uma dessas \u00ab\u00a0guinadas \u00bb e na transi\u00e7\u00e3o de uma \u00e0 outra ? Por meio de quais elementos discursivos os diferentes acontecimentos pol\u00edticos s\u00e3o registrados, designados e categorizados ? Poderemos questionar, inclusive, as pr\u00f3prias categorias de \u00ab\u00a0esquerda\u00a0\u00bb e de \u00ab\u00a0direita\u00a0\u00bb : quanto ao seu sentido e sua hist\u00f3ria, bem como quanto a sua pertin\u00eancia no contexto hist\u00f3rico e pol\u00edtico do continente latino-americano.<\/p>\n<p><span class=\"notes\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> Cartografia de Christophe Chabert, Cart\u00f3grafo, Ilustrador, redator <a href=\"https:\/\/blogs.mediapart.fr\/cchabert\/blog\/141117\/amerique-latine-droite-toute\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/blogs.mediapart.fr\/cchabert\/blog\/141117\/amerique-latine-droite-toute<\/a><br \/>\n<span class=\"notes\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> <a href=\"http:\/\/www.adalassociation.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.adalassociation.org\/<\/a><br \/>\n<span class=\"notes\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> Comunidade dos Estados latino-americanos e caribenhos\u00a0: <a href=\"http:\/\/www.sela.org\/celac\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.sela.org\/celac\/<\/a><br \/>\n<span class=\"notes\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> Uni\u00e3o de na\u00e7\u00f5es sul-americanas\u00a0: www.unasursg.org<br \/>\n<span class=\"notes\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> Este \u00faltimo n\u00e3o faz parte dos governos progressistas mencionados acima.<br \/>\n<span class=\"notes\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a><a href=\"http:\/\/www.lemonde.fr\/ameriques\/article\/2016\/09\/02\/revers-en-serie-pour-la-gauche-en-amerique-latine_4991776_3222.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.lemonde.fr\/ameriques\/article\/2016\/09\/02\/revers-en-serie-pour-la-gauche-en-amerique-latine_4991776_3222.html<\/a><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dez anos se passaram desde a cria\u00e7\u00e3o da ADAL[2] por um grupo de jovens pesquisadores para constituir uma rede de trocas em torno dos pa\u00edses latino-americanos e dos discursos que da\u00ed emanam. 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